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Linabel Iramaia sobe ao pódio em corrida de montanha na França

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Itaunense conquista o terceiro lugar geral feminino no Vauban Mountain Trail 2026

A corredora itaunense Linabel Iramaia voltou a colocar o nome da cidade em evidência no cenário esportivo internacional. A atleta conquistou o terceiro lugar geral feminino no Vauban Mountain Trail 2026, disputado em Briançon, nos Alpes franceses, uma das regiões mais tradicionais da corrida de montanha.

Filiada à Federação Mineira de Atletismo (FMA), Linabel representou o Flamengo Futebol Clube de Itaúna na competição e enfrentou desafios extremos durante as provas, realizadas no último fim de semana. A competição faz parte da nona etapa oficial do Circuito Mundial da World Mountain Running Association (WMRA).

No sábado, 18, ela disputou a Uphill-Vertical (WMRA). Em um percurso íngreme de seis quilômetros, com 1.150 metros de ganho altimétrico, atingindo 2.400 metros de altitude ao acompanhar o traçado do bondinho até o topo da montanha, a atleta garantiu a 35ª colocação no geral feminino.

Já no domingo, 19, foi a prova aberta, de sete quilômetros. Correndo entre ruelas, túneis e estradas históricas da comuna francesa, a itaunense manteve excelente ritmo tático e físico para subir ao pódio com a terceira colocação na categoria.

Alto nível competitivo

Em entrevista ao Jornal S’Passo, Linabel Iramaia comentou sobre o alto nível competitivo dos atletas que participaram das provas. “São competidores mais experientes, disputando em condições normais para eles, mas muito desafiador para mim, já que no Brasil não temos montanhas íngremes e altas como na Europa”, afirmou. Sobre o percurso de sete quilômetros na prova em que garantiu o terceiro lugar geral feminino, comentou que, a princípio, pode parecer pouco, mas que o terreno e a altimetria tornam o “jogo” muito mais difícil.

“Ser a terceira colocada fora de casa em uma prova chancelada é indescritível. Sou muito grata por ter uma equipe que me coloca em condições de ser competitiva na Europa. Esse resultado também mostra que o Brasil tem condições de se posicionar internacionalmente com a corrida de montanha e sonhar que mais empresas possam apoiar e patrocinar atletas para representar o país pelo mundo”, destacou.

Ao falar sobre os preparativos para a competição, Linabel comentou que tem profissionais que estão com ela há anos, sempre buscando atualizações para os treinos. “Estou em constante preparação. Voltar para o calendário internacional só foi possível porque planejamos esse retorno. Particularmente, sempre treino pensando no lugar mais alto do pódio, e todos os outros competidores também. Então, mesmo com essa mentalidade, é sempre uma boa surpresa. Agora, estar em um pódio internacional, no coração do Trail Running, é surreal, indescritível, a consagração de que todas as dores e o suor de horas de treino valem a pena”, comemorou.

Ela contou que o Vauban Mountain Trail exigiu muito mais do que preparo físico, exigiu estratégia desde a logística até o local da prova. “Como viajo em estilo nômade, a primeira prova de resistência foi o acesso à região na França, combinando trem, ônibus e van para alcançar a montanha. Essa jornada faz parte do compromisso de competir entre os melhores com o orçamento disponível”, disse.

O começo “em casa”

Sobre o interesse pela corrida de montanha, ela conta que surgiu aqui mesmo na cidade, em uma área rural, por meio de uma amiga. “Entramos em uma prova de equipe de 15 quilômetros e enfrentamos um grande desafio com a sinalização do percurso, o que nos forçou a correr praticamente o dobro do trajeto. O cansaço foi extremo, mas a vontade de buscar o pódio, que já trazíamos das provas de asfalto, falou mais alto. Cruzamos a linha de chegada como campeãs”, lembrou. “Essa capacidade de superar o inesperado me conectou profundamente com o Trail Run. Aquele momento mudou minha chave como atleta e me impulsionou a estudar, treinar e buscar resultados expressivos em montanhas no Brasil e no exterior”, completou.

De Itaúna para o mundo

Entre as maiores conquistas, para a atleta, está a de levar o nome de Itaúna para oito países diferentes, vivenciando uma troca cultural através do esporte. “Mas foi o foco em alto rendimento que me permitiu construir resultados expressivos lá fora”, avaliou.

No circuito mundial da ISF (International Skyrunning Federation), Linabel conquistou o terceiro lugar global no Vertical Open Championship em 2022 e se manteve no Top 4 do mundo em 2023 e 2024. No cenário sul-americano e nacional, sagrou-se campeã brasileira e sul-americana em 2023 e novamente campeã brasileira do Skyrunning Brazil Series em 2025. “Ter essa bagagem internacional é maravilhoso, mas manter a consistência em casa também é essencial. Agora, em 2026, acabo de me consagrar tricampeã (2023, 2025 e 2026) da Copa Minas de Vertical, em Catas Altas”, relatou.

Para ela, sua base e coração estão no Flamengo Futebol Clube de Itaúna e no Projeto de Apoio ao Atleta Itaunense. “Representá-los como atleta de alto rendimento é uma honra, pois foram eles que abriram as portas para o meu crescimento. Com o apoio do clube, venho estruturando minha carreira para alcançar a profissionalização integral, rompendo as barreiras comuns ao nosso esporte”, ressaltou.

Hoje, Linabel Iramaia conta com uma chancela oficial sólida. “Sou federada pela CBAt e pela FMA, instituições ligadas diretamente à World Athletics e à World Mountain Running Association (WMRA). É esse respaldo oficial, somado às minhas raízes em Itaúna, que me permite me inscrever em provas internacionais e levar nossa bandeira para o mundo”, frisou.

Próximos desafios

A agenda da atleta itaunense para o segundo semestre está focada no circuito europeu da WMRA. No dia 2 de agosto, ela disputa a XIX Cursa Per Muntanya Vistabella, na região de Valência, na Espanha, em um desafio técnico de 28 quilômetros com 1.500 metros de ganho altimétrico. Na sequência, em setembro, segue para a Itália para correr o Trofeo Nasego, na região de Brescia, que também é uma etapa oficial da temporada de Uphill.

Após essa jornada internacional, a corredora retorna ao Brasil para iniciar a periodização do próximo ano. Antes de fechar a temporada, no entanto, tem algumas competições no radar e em alinhamento com seu treinador, participará de provas de asfalto. “É um movimento estratégico na nossa planilha para buscar velocidade, recalibrar as métricas de performance e me preparar para voltar ainda mais forte para a montanha”, finalizou.