O Museu Municipal Francisco Manoel Franco voltou a funcionar plenamente nesta sexta-feira (10), com a inauguração do espaço “Estação de Memórias”. A entrega marca a retomada definitiva das atividades do espaço após anos de uso limitado e reforça a proposta de resgatar e difundir a história local.
A iniciativa é fruto de uma parceria entre a Prefeitura de Itaúna, a VLI e a Agência de Iniciativas Cidadãs (AIC). O projeto já está presente em outras cidades e chega ao município como a primeira implantação realizada em 2026, inserindo Itaúna em uma rede nacional de valorização da memória ferroviária.
A exposição reúne recursos interativos, como vídeos, entrevistas, jogos e ambientações temáticas, que mostram a influência da ferrovia no desenvolvimento da cidade, além de destacar manifestações culturais e o crescimento do setor têxtil e, antes da cerimônia oficial, alunos da Escola Augusto Gonçalves participaram de uma visita guiada ao espaço.
O prefeito Gustavo Mitre destacou que o investimento vai além de eventos culturais pontuais. “Cultura não é apenas show e evento, é cuidar da memória de um povo”, afirmou. Segundo ele, “preservar a nossa história é respeitar as nossas raízes e fortalecer a identidade do nosso povo. A reabertura do Museu Municipal, aliada a esse novo espaço, mostra que estamos atentos à cultura e ao que construiu a trajetória de Itaúna”.
Retranca
Sala homenageia Maria Ângela Amaral Moreira
A homenageada sempre foi uma fiel defensora da preservação da história da ferrovia na cidade, atuando para que esta estação contasse histórias para além de seu tempo
OLHO : “Da mesma forma, e sem jamais esquecer os ensinamentos cristãos, a Dona Maria Ângela sempre acolheu os mais humildes e as minorias, atendendo-os sempre com uma xícara de café acompanhada de um pedaço de bolo, confortando-os em suas dificuldades. Foi também, curiosamente, uma empenhada professora de diversas turmas de escolas de ensino primário e secundário, que por aqui estiveram nos últimos anos, além de ter proporcionado apoio integral a eventos esportivos, religiosos, e culturais, que neste local ocorreram incontáveis vezes”
Um dos momentos mais simbólicos da cerimônia foi a abertura da sala que abriga a “Estação de Memórias”, batizada com o nome de Maria Ângela Amaral Moreira. A homenagem reconhece a atuação da moradora, falecida em novembro de 2024, que teve participação ativa na preservação da história do museu e da própria estação ferroviária.
Natural de Itaúna, Maria Ângela nasceu em 1938 e construiu uma trajetória marcada pelo envolvimento comunitário, pela fé e pela dedicação às tradições locais. Ela colaborou diretamente na organização e identificação de peças do acervo do museu, contribuindo para a manutenção da memória cultural da cidade.
Representando a família, o filho Eduardo Moreira relembrou o papel da mãe na defesa do espaço: “Maria Ângela sempre foi uma fiel defensora da preservação da história da ferrovia na cidade. Arrisco dizer que, sem a insistência dela, esse espaço poderia não ter sido mantido.”
Ele também destacou o perfil acolhedor e comunitário da homenageada. “Ela sempre recebeu as pessoas com simplicidade, oferecendo um café e um pedaço de bolo, além de apoiar atividades culturais, religiosas e educativas que aconteceram aqui ao longo dos anos.”
Emocionado, Eduardo ressaltou que a família pretende dar continuidade ao legado deixado. “Nosso compromisso é seguir contribuindo com a preservação dessa história e manter viva a memória que ela tanto valorizava.”
Retomada após período de limitações
O Museu Chico Franco ficou sem funcionar entre 2014 e 2020. Nos anos seguintes, operou de forma parcial, com apenas parte do acervo exposto e utilização reduzida do espaço. Essa realidade começou a mudar em 2025, quando foi iniciada uma reestruturação completa.
A reformulação incluiu reorganização do acervo, melhorias na identificação das peças e criação de um ambiente mais dinâmico e acessível ao público. A entrega da “Estação de Memórias” consolida essa nova fase. O museu passa também a contar com outra exposição permanente, ampliando sua atuação como espaço de memória e educação. A Sala de Exposições Professora Elenice Tarabal Coutinho Guimarães passou a abrigar o acervo do museu, reorganizado após um processo de revisão conduzido pela Comissão de Acervo. A exposição reúne peças que retratam diferentes aspectos da história política, social e cultural de Itaúna, incluindo itens ligados à religiosidade e à indústria têxtil.
Visitação
As exposições estão abertas ao público de segunda a sexta-feira, das
7h às 17h. Agendamentos para escolas e grupos podem ser realizados pelo
e-mail museu@itauna.mg.gov.br ou pelo telefone (37) 3249-9902.







