serão inauguradas em junho, depois de décadas de abandono do prédio
As obras de restauração do antigo prédio do Hospital Manoel Gonçalves estão em ritmo acelerado e já têm uma data para terminar: a inauguração da capela está prevista para o dia 12 de junho, data em que se celebra o Sagrado Coração de Jesus, padroeiro da instituição.
Iniciado em 2025, o projeto de recuperação do imóvel — que abriga a antiga Casa de Caridade — já tem cerca de 90% de execução. Nesta quinta-feira (26), a obra entrou em uma nova fase com a instalação da cobertura, incluindo as tesouras que sustentarão o telhado.
A capela, um dos espaços mais simbólicos do conjunto, passa por um processo de restauração, respeitando as características originais da construção. Elementos arquitetônicos, como o posicionamento das janelas e detalhes internos, estão sendo preservados para manter a identidade histórica do local.
Com a conclusão das intervenções, o prédio restaurado vai sediar o Centro Administrativo e a provedoria do hospital. A mudança permitirá a liberação de um andar atualmente utilizado pela área de oncologia, ampliando a capacidade de atendimento.
Além da função administrativa, a capela poderá ganhar também um papel cultural. Existe a possibilidade de que o espaço receba parte da exposição “Religare”, atualmente instalada no Museu Municipal, ampliando o acesso da população a conteúdos ligados à religiosidade e à memória local.
O investimento é de aproximadamente R$ 590 mil, sendo parte dos recursos oriunda de emendas impositivas de vereadores. A continuidade da etapa final depende ainda do repasse complementar por parte do Ministério Público.
Prédio quase foi demolido em 1980
No início da década de 1980, Itaúna viveu um dos momentos mais delicados de sua história patrimonial. As ruínas do antigo Hospital Velho, considerado o edifício mais antigo da cidade, estiveram seriamente ameaçadas de demolição diante de avaliações técnicas e decisões administrativas da época.
À frente da Casa de Caridade, o provedor José Juarez Silva chegou a considerar a restauração como a melhor alternativa. No entanto, após análises realizadas por engenheiros, concluiu-se que o custo da recuperação seria elevado demais. Diante desse cenário, ele passou a defender a demolição do imóvel, argumentando que os recursos disponíveis deveriam ser direcionados para necessidades mais urgentes da saúde pública, como a implantação de uma unidade de terapia intensiva e a aquisição de equipamentos de raio-X.
O entendimento foi reforçado pelo professor Guaracy de Castro Nogueira, então reitor da Universidade de Itaúna e ex-provedor da instituição. Para ele, o nível de deterioração do prédio tornava sua recuperação inviável, assim como o uso de recursos públicos na tentativa de preservar o imóvel.
O tema dividiu opiniões e mobilizou diferentes setores da sociedade. De um lado, estavam aqueles que defendiam a preservação do prédio, destacando seu valor histórico, arquitetônico e cultural, além da importância de manter viva a memória da cidade. De outro, havia quem considerasse mais sensato direcionar esforços para demandas imediatas, mesmo que isso significasse renunciar ao patrimônio.
Apesar da forte pressão pela demolição, o edifício resistiu ao tempo e às decisões daquele período. Hoje, décadas depois, o antigo hospital segue de pé e passa por um processo de revitalização, prestes a recuperar parte de seu antigo esplendor e reafirmar seu lugar na história de Itaúna.







