Toinzinho pede abertura de processo por quebra de decoro contra Gui Rocha

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A briga política entre o vereador Guilherme Campos da Rocha e o presidente da Câmara, Antônio de Miranda Silva, o “Toinzinho”, vem se arrastando há pelo menos três meses na Câmara, expondo um cenário de embates públicos, disputas judiciais e sucessivas denúncias que elevaram a tensão no Legislativo. 

O conflito teve início quando o vereador novato passou a questionar, pelas redes sociais, atos do chefe do Legislativo, além de divulgar conteúdos que colocavam sob suspeita contratações ligadas à comunicação da Câmara. O estopim da crise foi o pedido de abertura da chamada CPI da Comunicação, proposta por Guilherme, que investigou denúncias de que o então assessor de comunicação do Legislativo, André Messias, estaria por trás de críticas a vereadores publicadas na página “O Itaunense”. 

A comissão, no entanto, acabou sendo encerrada recentemente, mas deixou um rastro de desgaste e inconformismos. Durante a tramitação da CPI, Guilherme Rocha ingressou com mandados de segurança apontando supostas irregularidades na condução dos trabalhos, travando uma disputa judicial direta com a presidência da Casa. O embate extrapolou o campo jurídico e refletiu em debates no plenário, aprofundando a divisão entre os parlamentares. 

É nesse contexto que surge a mais recente representação apresentada nesta semana à Comissão de Ética e Decoro Parlamentar. O pedido, protocolado pelo presidente da Câmara, acusa o vereador de possível quebra de decoro por declarações feitas em redes sociais, consideradas ofensivas à imagem institucional do Legislativo.  

O estopim que gerou a representação de Toinzinho foi a publicação de um story na rede social de Guilherme, com um print do contrato da Câmara com a Fundação Cultural e Educativa São Judas Tadeu, a conhecida TV Cidade, com uma música de fundo sugerindo irregularidades no contrato. Entre outros pontos citados na denúncia está também a divulgação de conteúdos com insinuações genéricas de irregularidades, sem a apresentação de provas formais nos canais oficiais da Casa. 

RETRANCA 

Três denúncias na Comissão de Ética e Decoro Parlamentar 

A nova representação se soma a uma sequência de episódios que vêm desgastando a imagem do parlamentar. Esta é, pelo menos, a terceira denúncia envolvendo o vereador em um curto espaço de tempo. 

Em um dos casos, Guilherme Rocha foi alvo de uma denúncia por quebra de decoro após associar, em uma publicação nas redes sociais, mães de motociclistas que praticam o “grau” à prostituição. A denúncia foi protocolada pelo motociclista João Paulo Antunes, morador do bairro Santo Antônio, que chegou a utilizar a tribuna da Câmara para confrontar o vereador e pedir a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), além da cassação do mandato dele.  

Pouco tempo depois, no entanto, o próprio denunciante recuou. Após ser procurado por Guilherme, ele retirou a representação e afirmou ter sido “instruído” por outros atores políticos a formalizar a denúncia, dizendo não querer manter o conflito. 

No mesmo dia em que esse caso ganhou repercussão, outro episódio agravou a pressão sobre o parlamentar. Durante uma reunião, Guilherme fotografou a professora aposentada Tânia Lucinda, de 69 anos, em uma situação considerada constrangedora, e compartilhou a imagem em grupos de WhatsApp, cobrindo parte da intimidade da vítima com um emoji. 

Abalada, a professora registrou boletim de ocorrência. O caso gerou forte reação dentro e fora da Câmara. O vereador, por sua vez, minimizou o episódio, alegando que a repercussão teria motivações políticas e ideológicas, citando divergências entre posições de direita e esquerda. 

A denúncia foi levada à Câmara, mas acabou rejeitada. Por 9 votos a 5, com duas abstenções, os vereadores decidiram não instaurar uma comissão processante para investigar o caso. O pedido havia sido protocolado pela própria vítima. 

Durante a votação, houve divergência entre os parlamentares. Parte deles entendeu que não havia elementos suficientes para justificar a abertura do processo, enquanto outros defenderam que a comissão serviria apenas para apuração dos fatos, sem implicar, naquele momento, em perda de mandato. 

À época, após a repercussão negativa, Guilherme Rocha divulgou um vídeo pedindo desculpas, afirmando que a imagem poderia ter sido mal interpretada. Ele também apagou a publicação do grupo. 

Agora, com a nova representação em análise, a Comissão de Ética deve decidir se instaura ou não procedimento para apurar a conduta do vereador. O caso promete manter o clima de tensão na Câmara, em meio a um cenário político já marcado por confrontos frequentes e judicialização dos embates.