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ENTREVISTA: Wenderson Arlei da Silva  – Pré-candidato a deputado estadual

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“Wendinho da Usina” como é mais conhecido o vereador Wenderson Arlei da Silva, está no primeiro mandato na Câmara Municipal. Apesar do pouco tempo na política e de atuação no Legislativo itaunense, resolveu alçar voos mais altos e lançou a pré-candidato a deputado estadual, pelo partido Novo, pelo qual foi eleito para o mandato que exerce há menos de dois anos.

Wendinho é administrador de empresas, pós-graduado em Gestão de Pessoas, empresário do ramo de alimentação e consultor em gestão gastronômica.

Em entrevista ao Jornal S´Passo, ele fala um pouco de sua jornada na Câmara de Itaúna e dos planos para o futuro, caso consiga consolidar a sua candidatura e alcançar a eleição para uma cadeira na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

Qual foi a principal entrega ou conquista do seu mandato até aqui?

Sem dúvida, minha principal conquista foi toda a transformação do transporte público de Itaúna. Desde 2021, eu já travava embates contra a Viasul e a Prefeitura, mas foi em 2023 que intensificamos, junto com a população, uma mobilização histórica. Fizemos abaixo-assinado, criamos canais de denúncia, promovemos uma campanha de multas e demos ao cidadão o papel de fiscalizador, com poder de gerar punições.

Em 2025, integrei o grupo de estudos, ao lado de excelentes profissionais da Prefeitura, que ajudou a quadruplicar o valor unitário das multas, reduzir a tarifa para R$ 4,90 e construir um subsídio inteligente, com metas e contrapartidas. Aprovamos ainda o QualiTrans, projeto de minha autoria que ainda não foi regulamentado pela Prefeitura.

Tenho orgulho de ter iniciado uma mobilização que teve a população como protagonista e gerou pressão suficiente para produzir transformações como essa. Em 2026, conseguimos mandar para longe o desrespeito no transporte público. A Viasul saiu, ônibus zero-quilômetro chegaram, mas ainda há muita coisa para melhorar.

Como deputado, terei ainda mais força política para aplicar esse mesmo método de mobilização, metas, fiscalização e participação popular em Itaúna e outras cidades mineiras que também sofrem com serviços públicos precários.

Em um cenário com muitos pré-candidatos, qual é o seu diferencial e por que o eleitor itaunense deveria confiar em seu nome?

Meu diferencial é já ter uma história e uma independência construída no trabalho e na superação antes de ser eleito. Entrei na política por indignação, e não como um projeto de vida. Abdiquei de continuar trabalhando diretamente no crescimento da Usina, hoje conduzida pela Bruna, minha esposa, para me dedicar integralmente ao meu povo.

Não devo meu mandato a grupos políticos. Sei enfrentar quando é necessário, mas também sei reunir pessoas competentes e construir soluções. Além disso, o que a população quer é gente com disposição e competência para trabalhar e entregar resultados.
Como empresário, as enchentes me obrigaram a recomeçar meu negócio duas vezes. Como vereador, já são seis projetos de lei aprovados, mais de oito mil contatos com a população, mais de duas mil cobranças e ações legislativas e mais de 100 visitas aos bairros.

Existe uma preocupação recorrente com a divisão de votos em Itaúna. Como você avalia esse cenário?

Toda candidatura com projeto e vontade de servir ao povo merece respeito. Mas a quantidade exagerada de lançamentos de candidatos sempre existiu em Itaúna e não é por acaso. É uma estratégia repetida dos velhos grupos políticos da cidade com objetivo de impedir o crescimento de novas lideranças e confundir o eleitor.

Nesta eleição, assistimos cinco ou seis candidaturas ligadas direta ou indiretamente ao grupo político do governo atual, o mesmo grupo político da Prefeitura, que hoje alega faltar dinheiro para tantas áreas, na prática, reduz as chances de Itaúna conquistar representação própria e enfraquece a busca por mais recursos com essa fragmentação.

 Você está no primeiro mandato como vereador. O que te motivou a dar esse salto e disputar uma vaga como deputado estadual já agora?

Não se trata apenas de motivação, mas de necessidade. Sou um brasileiro esgotado de pagar cada vez mais impostos, trabalhar cada vez mais e receber de volta atraso, desrespeito e dificuldades. A vida difícil que levamos hoje é resultado de décadas da velha política.

Demonstro todos os dias disposição e capacidade para trabalhar pelo meu povo e gerar as transformações de que as pessoas precisam. Como deputado estadual, essa força de trabalho será multiplicada. Quero transformar experiências que deram resultado em Itaúna em políticas regionais, unindo municípios em torno de problemas comuns e cobrando soluções do governo de Minas.

O que mudou na sua visão de política depois que você entrou na Câmara?

A avaliação negativa e a desilusão que muitas pessoas têm da política ainda são generosas demais para quem está de fora. Hoje, vendo de perto, compreendi que a realidade é muito pior do que eu imaginava.

Conheci bons exemplos e excelentes pessoas nessa caminhada. Mas, por outro lado, vejo, em quantidade muito maior, péssimos exemplos: convicções de aluguel, muita gente se esbaldando com o que é público, jeitinhos e acordos, mau uso do nosso dinheiro e perseguições.

Na sua pré-campanha, você tem destacado problemas da cidade. Quais são hoje os três principais desafios de Itaúna. E por quê?

Saúde: Pronto-Socorro sobrecarregado, atendimento demorado e falta de monitoramento da Prefeitura sobre a qualidade do serviço. Na Policlínica Dr. Ovídio faltam médicos em algumas especialidades e a população enfrenta filas longas. A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) ainda é aguardada e, infelizmente, só deve sair no último ano da gestão.

Infraestrutura: limpeza urbana ineficiente, manutenção desigual nos bairros, praças com aspecto de abandono, buracos nas ruas, falta d’água recorrente e ausência de obras estruturais de prevenção às enchentes.

Pessoas em situação de rua: dependência química, problemas de saúde mental, rompimento de vínculos familiares e dificuldade de acesso ao tratamento agravam o problema.

O que você acredita que falta hoje: gestão, recursos ou articulação política?

O que mais falta é foco no povo, entender que estamos aqui para servir à população. Falta muito senso de gestão. Em diversas áreas, não temos uma metodologia de trabalho definida, não temos controles, não medimos a qualidade dos serviços prestados nem a satisfação da população.

Nem sempre as pessoas são escolhidas por capacidade técnica, mas por acordos políticos. Claro que recursos e articulação são importantes, mas sem gestão, não há caminhão de dinheiro que resista ser mal-empregado.

E o que você reconhece que ainda não conseguiu avançar no seu mandato como vereador?

Duas pautas muito importantes. A primeira é o enfrentamento às enchentes. Já realizamos três audiências públicas, aprovamos o Programa Protege. Autorizamos empréstimo e fizemos inúmeras cobranças. Mesmo assim, a Prefeitura ainda não iniciou as obras estruturais.

A segunda é a pavimentação gradual das principais estradas rurais. Minha medida mais recente foi propor a reserva de 0,5% do Orçamento Municipal para obras contra enchentes e outros 0,5% para a pavimentação.

Como empresário do ramo de alimentação, o que acredita que mais pesa hoje para quem empreende em Itaúna e na região?

Ser pequeno empresário hoje é quase ser um sobrevivente. No setor de alimentação, pesam muito a oscilação dos preços dos insumos, a dificuldade de contratar e manter bons profissionais, a informalidade, a burocracia e uma carga tributária cada vez maior.

Sem contar na queda do rendimento familiar. Com isso, sobra pouco, negócios não conseguem crescer e essa situação provoca um enorme desgaste mental e emocional.

O que nunca muda é o apetite voraz e gastador de boa parte do poder público. Nesse mundinho paralelo, os gastos continuam aumentando, completamente desconectados do mundo real. Enquanto uns suam para manter seus negócios e empregos, outros se esbaldam com o dinheiro público.

Você é pré-candidato pelo Novo, um partido que defende princípios liberais, como menos intervenção do Estado. Como essas ideias se traduzem, na prática, nas suas propostas para a população de Itaúna?

Em Itaúna, isso significa alvará simplificado, menos burocracia para os pequenos negócios e serviços funcionando. Outros exemplos são o Qualitrans e a presença de um fiscal de plantão no Pronto-Socorro.

O que queremos é respeito ao dinheiro e ao suor do povo e serviços básicos funcionando bem.

Você fala bastante sobre impostos. Na prática, o que um deputado estadual pode fazer para aliviar essa carga?

A maioria dos impostos são federais. No entanto, um deputado estadual pode agir votando contra aumentos e apoiando redução de impostos e taxas estaduais quando possível.

Outro papel importante é fiscalizar como o governo gasta o orçamento e cobrar corte de desperdícios.

Gasto público é igual unha: tem que cortar sempre. Com governo que não tem critério e gasta muito nesse Brasil difícil, não há redução de impostos que resista.

Há alguma proposta concreta que você já pretende defender na Assembleia nesse sentido?

Quero defender que toda proposta de aumento de imposto ou taxa estadual venha acompanhada de um Estudo de Impacto Tributário. O governo terá de mostrar quanto isso custará às famílias e empresas mineiras, quanto pretende arrecadar e onde pretende aplicar os recursos. Também deverá apresentar quais despesas da própria máquina foram analisadas e por que não foi possível enxugá-las antes de propor o aumento.

Como conciliar o discurso de menos impostos com a necessidade de investimentos públicos?

Menos impostos não significa menos investimento público, mas, sim, gastar melhor. Em um ambiente caótico e de queda de arrecadação, como o que o Brasil vive, o orçamento deve priorizar o essencial para fazer bem-feito na saúde, na segurança, na educação, no saneamento, na drenagem e na infraestrutura, com metas e fiscalização. Quando o governo melhora a gestão nessas áreas, acaba criando um ambiente favorável ao emprego, à abertura de novas empresas e ao crescimento da economia. Com isso, a arrecadação pode aumentar sem que seja necessário elevar impostos.

Se eleito deputado estadual, qual seria a primeira pauta que você levaria para defender na Assembleia?

Minha primeira pauta será a Saúde com Resultado. Dentro do meu mandato, criarei um Observatório Regional da Saúde para acompanhar filas, atendimentos e tempo de espera, atuando como um elo entre hospitais, prefeituras, consórcios de saúde, entre outros, para identificar os principais gargalos de cada região e construir soluções conjuntas.

A lógica será simples: quem comprovar redução das filas e aumento dos atendimentos será fortalecido com emendas para ampliar ainda mais esses atendimentos. Quem ainda não estiver entregando um bom resultado não será abandonado, mas deverá participar de um plano de ação para reverter esse cenário. Minha equipe não ficará presa ao gabinete: vai gastar sola de sapato fazendo esse acompanhamento ao meu lado.

Abomino a velha política de apenas anunciar emendas, tirar foto e nunca fiscalizar nem medir se o dinheiro empregado realmente melhorou a vida das pessoas. Muitos dos que vêm a Itaúna pedir votos vivem exclusivamente dessa prática. Meu papel será mudar a forma como o dinheiro público é aplicado e fiscalizado.